Paraíba tem 16 açudes contaminados


Grupos de pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) estão fazendo o monitoramento dos 20 maiores açudes paraibanos, para verificar o estágio de contaminação desses mananciais, em decorrência do processo de eutrofização, que é a proliferação de microorganismos nocivos à saúde, decorrentes do excesso de nutrientes em suas águas.

Entre os açudes monitorados estão o Presidente Epitácio Pessoa, no município de Boqueirão, principal manancial de abastecimento d’água de Campina Grande, e outras cidades da região.

Estão envolvidos, também, na pesquisa os açudes Poções, em Monteiro, Camalaú, Congo e Acauã, este último o terceiro maior da Paraíba em volume de água. Acauã é considerado como reserva estratégica para o abastecimento, em caso de colapso no sistema de Boqueirão.

O professor José Etham de Lucena Barbosa, do Departamento de Biologia da UEPB e um dos responsáveis pelo monitoramento, explica que o estudo feito nas águas dos 20 maiores reservatórios revela um dado preocupante: 16 açudes acumulam organismos tóxicos e 20% do pescado cultivado em suas águas, como é o caso da tilápia, apresentam toxinas que são prejudiciais à saúde humana.

No caso específico de Boqueirão, Etham lembra que o Açude tem mais de 50 anos e enfrenta progressivo assoreamento de sua bacia em decorrência da derrubada da vegetação ciliar. Outro problema é o uso de agrotóxicos em plantio de verduras nas cercanias do Açude. “Esses produtos são levados para o interior do reservatório pelo efeito da erosão e têm efeito cumulativo”, salienta.

Etham informa que, de acordo com a Lei do Meio Ambiente, o projeto de monitoramento da qualidade das águas dos açudes, tanto para o consumo humano quanto para o cultivo de pescado, está sendo executado em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande. “É um trabalho parecido com o que foi feito no Lago Paranoá, em Brasília”, explica o pesquisador da UEPB.

Ele participa, em conjunto com a pesquisadora Beatriz Ceballos, da UFCG, do projeto que há cerca de 10 anos vem estudando a microbiologia, hidráulica e biodiversidade dos reservatórios da Paraíba. Trata-se da Ecotoxicologia, vertente da pesquisa voltada ao estudo e à contenção da proliferação de microorganismos que possam, em médio ou curto espaço de tempo, comprometer, em definitivo, a qualidade das águas de açudes de grande e médio porte.

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