
A nossa Cidade de Sousa completou no último dia 10 mais um ano de emancipação política, mais um ciclo que termina e outro que começa com a expectativa de que seja melhor, de que seja marcado por acontecimentos que a engrandeça juntamente como seu povo e a consolide como pólo de desenvolvimento e modernização. Mais do que necessária, a modernização também é bastante convidativa ao mesmo tempo em que atrai pessoas e agrega valor à cidade, resultando em investimentos privados e públicos.
Nesse contexto é importante ressaltar a necessidade de um crescimento sustentável, onde uma agenda de compromissos voltados à preservação do meio-ambiente é de grande importância. A ocupação desordenada e a construção de imóveis sem a preocupação com a devida infra-estrutura, aliadas a falta de esgotamento sanitário adequado constitui num problema que merece uma maior atenção por parte das autoridades.
Os governos constituídos precisam tratar com mais seriedade os temas relacionados à ecologia, sobretudo por estarmos numa região que já sente com intensidade os efeitos da degradação ambiental fazendo com que Sousa esteja encravada numa zona de desertificação que aqui no Nordeste tem nas queimadas a forma de trabalhar a terra como principal fator que contribui para esse fenômeno maléfico. A diminuição da cobertura vegetal acelera o processo de erosão do solo, as fontes de água secam mais facilmente, a evapotranspiração potencial aumenta e o balanço entre a captação e a perda de água fica cada vez mais negativa. Ou seja, se gasta mais água do que se consegue captar na natureza. Campanhas devem ser trazidas a público pelos governos e as sociedades civis organizadas tem que dar sua contribuição para a conscientização de todos. Se a população mundial continuar com o consumo desordenado atual, há sérios riscos de esgotamento dos recursos naturais. Temos que ter essa preocupação, pois nós sousenses também somos parte desse processo. No que concerne aos recursos hídricos só para se ter uma idéia, a cidade de Patos com aproximadamente 100 mil habitantes consome mensalmente 250 mil metros cúbicos de água. Já Sousa com cerca de 70 mil habitantes consumiu em torno de 600 mil metros cúbicos do precioso líquido. É uma disparidade alarmante que chama atenção de todos e nos coloca no ‘alerta vermelho’ quanto à possibilidade de racionamento de água num futuro próximo. Essa preocupação deve estar em cada casa, em cada família, caso contrário a água pode faltar, pois estamos numa região de clima semi-árido, ou como dito anteriormente quase desértico e a qualquer tempo pode haver estiagem prolongada.
As empresas também devem acordar para o assunto e Muitas delas já mantêm programas voltados para a preservação do meio ambiente e a sustentação dos ecossistemas, por meio de medidas como o controle da emissão de gás carbônico e do descarte de resíduos e até do consumo responsável de recursos como água e energia elétrica.
Em um planeta onde tudo está interligado, o desenvolvimento das urbes causa impactos locais e globais. A utilização de combustíveis fósseis, a exploração do solo, das florestas e da água e a geração de resíduos afetam não somente os ecossistemas do entorno, mas podem ser sentidas em lugares muito afastados do núcleo gerador.
O atual estilo de vida urbano só pode ser sustentado com copiosas quantidades de território e de bens naturais. Amiúde, o abuso dos recursos é proporcional ao poder aquisitivo. Se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão de consumo dos norte-americanos, por exemplo, seriam necessários 5,3 planetas para suprir a demanda.
Com efeito, são justamente os centros urbanos os que mais sofrem com a degradação do meio ambiente. Para aproximá-los da sustentabilidade, urge um diálogo permanente entre todos os atores sociais. Não se trata de utopia; a consolidação de conceitos de ecologia mínimos é indispensável para uma vida mais íntegra, saudável e segura.
Se nada for feito, se as pessoas não se importarem com o quadro de degradação atual, qual será a Sousa e o mundo para os nossos filhos e netos?
POR JACKSON QUEIROGA