Sousa: Triste São João foi aquele que passou


Não dá pra ficar calado... Viajei por alguns dias, como havia anunciado, quase pronto para dar um tempo às minhas inquietações, contê-las por algum período, mas percebo que realmente é muito difícil, senão impossível, ser impassível a tudo que ocorre, ou deixa de ocorrer em nossa cidade.

Volto e logo percebo o sousense mais uma vez cabisbaixo com o olhar indiferente do Poder Público Municipal para com os reclamos da população! Reclamos, sim, mesmo falando de lazer.

A Prefeitura de Sousa, em fevereiro, com menos recursos em caixa, vivendo o ápice de uma situação de emergência recentemente decretada, mesmo assim realizou uns tantos dias de carnaval de rua, ofereceu aos que nenhuma opção de entretenimento têm a não ser os shows em praça pública, um pouco de alegria e diversão.

Tendo que engolir a seco as próprias acusações de um suposto rombo nos cofres públicos municipais da ordem de 50 milhões de reais que não consegue provar, deixa a Prefeitura de Sousa de realizar duas noites sequer, São João e São Pedro, para marcar a passagem das festividades juninas.

Na Paraíba, inúmeros municípios foram agraciados com recursos do Ministério do Turismo para realizarem suas festividades... Não fica o registro apenas de Patos, que o atual Prefeito detém mandato eletivo há mais de uma gestão, mas Cajazeiras e Santa Cruz, por exemplo, pra ficar nas mais próximas, receberam ajuda financeira do Governo Federal. Sousa, apesar de ter obtido dias atrás Certidões Negativas a possibilitar sua chegada aos Ministérios em busca de recursos extras, mesmo assim ficar a ver navios, com desculpas que a ninguém convence.

Se aqui estivesse, o Prefeito Tyrone certamente não teria deixado de comparecer à festa realizada pelo Clube dos amigos da UNIMED, ou, quem sabe, pelo Riachão Campestre Clube. Neste último, menos provável a sua presença; lá correria o risco de estar em contato com a população a quem evita.

Ao preferir ficar longe dos olhos dos sousenses, cortejado pelo seleto e prestigiado círculo de amigos cearenses, não quis arriscar mais uma vaia, como aquela que lhe ocorreu em plena Odon Bezerra, ao lado do Cotton Shoping Center, cinqüenta e poucos dias após a sua posse como Prefeito.

Em sua defesa, eternos arautos, afirmam: - a situação herdada da administração passada, poucos recursos e pendências junto ao Ministério do Turismo impossibilitaram a realização do São João de Sousa.

Menos condições de disputar um naco de orçamento para financiar os festejos que se realizaram sertão afora têm outros municípios aqui de nossa região. Mais uma vez se comprovam a falta de articulação e o despreparo do Governo do Município de Sousa quando o assunto é encontrar soluções para os problemas que se apresentam no dia-a-dia.

A dupla Efrain Morais, pai e filho, embora de oposição ao Governo Lula, conseguiu a liberação de verbas federais para o animado São João do Município de Santa Luzia.

Apesar da tão falada íntima amizade entre o Prefeito de Sousa e o agora Ministro das Relações Institucionais José Múcio, nem mesmo isso lhe valeu lenitivo socorro para o financiamento do São João de nossa cidade. Desde o Governo Cozinho Gadelha, passando por três administrações de João Estrela, Marizinho Abrantes e Salomão Gadelha, nunca tivemos uma época de tamanha indiferença administrativa do Poder Público para com a população.

É tempo de lembrarmos um passado em que éramos felizes e não sabíamos.

Mas, como é da natureza das coisas, tudo passa. Como lembrado na obra do monumental Marshall Berman, falando sobre a aventura da modernidade, “Tudo que é Sólido Desmancha no Ar”.

Resta-nos esquecer: - triste São João foi aquele que passou.

DO FOLHA DO SERTÃO

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